O Procurador-Geral da República, Américo Letela, alertou que redes de raptores estão a infiltrar-se em órgãos do Estado, com o objectivo de fragilizar a capacidade de investigação e combate ao crime organizado no país.
Falando esta quarta-feira, durante a apresentação do seu informe anual à Assembleia da República, Letela destacou que o crime de rapto continua a ser uma das formas mais graves de criminalidade organizada em Moçambique.
“O crime de rapto constitui uma das manifestações mais graves da criminalidade organizada no nosso país. As redes criminosas operam frequentemente com ramificações transaccionais, estruturas hierarquizadas e uso intensivo de meios tecnológicos sofisticados, recorrendo também a mecanismos de corrupção e infiltração nos órgãos do Estado, o que torna mais complexa a sua investigação”, afirmou.
Segundo o magistrado, há uma mudança significativa no modus operandi destes grupos, que passam a utilizar tecnologias mais avançadas, incluindo meios de comunicação criptografados e pagamentos de resgates através de criptomoedas.
No que diz respeito à mineração, o Procurador-Geral manifestou preocupação com o crescimento da mineração ilegal e os seus possíveis desdobramentos no plano da segurança.
De acordo com Letela, esta actividade, inicialmente vista como informal ou de subsistência, está a evoluir para um negócio altamente lucrativo, controlado por grupos organizados que operam à margem da lei.
“A mineração ilegal tem vindo a expandir-se em várias regiões do país. Este fenómeno está a transformar-se numa actividade dominada por redes organizadas, que exploram recursos minerais de forma descontrolada, causando prejuízos ao Estado, tanto em receitas como na degradação do meio ambiente”, sublinhou.
O Procurador-Geral alertou ainda para o risco de alguns grupos de mineradores artesanais evoluírem para formações armadas, o que poderá representar uma ameaça adicional à autoridade do Estado.
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